Nasci em um mundo diferente. Eu era apenas uma jovem de 18
anos que era feliz. Vivia com meus pais e minha irmã, apenas três anos mais
velha que eu. Estávamos em festa, pois minha irmã logo iria se casar, ela
estava feliz, e eu também, por ela.Mas parte de mim se sentia mal, pois
perderia minha amiga e confidente, logo após o casamento ela se mudaria para a
Inglaterra com o marido e teria a vida dela, e eu continuaria no Brasil vivendo
com nossos pais. Minha vida era simples, mais feliz ao lado dela. Passamos o
dia bordando juntas, as vezes íamos a cidade fazer comprar para o enxoval.
Foi em uma dessas viagem até a cidade que conheci um belo
rapaz, me senti atraída por ele como se eu fosse a lua e ele a terra. Seu olhar
fixo em mim e minha irmã, isto a deixou meio nervosa, sem saber o que fazer. Para ela
eu ainda era uma menina que não havia crescido. Porem ela percebeu que logo
após seu casamento chegaria minha vez, eu não seria mais vista como a filha
caçula dos Balestriero, e sim a nova filha para se casar.
Lidia, minha irmã ficou noiva quando tinha 19 anos, mais de
dois anos para os preparativos do casamento. Aquela era vida que ela queria,
mais sabia que não era a que eu queria.
Nem eu mesma sabia o que queria, então ficaria confortada com o que meus pais
decidissem. Naquela época, hoje já penso diferente.
Passei dias sonhando com aquele estranho, querendo saber
quem era e porque eu me senti tão atraída por ele. Mas eu me culpava, aquilo
era um erro, eu nem o conhecia e muito menos meus pais. Eles nunca admitiriam
se descobrissem essa atração que eu sentia, então mantive esse segredo só para
mim, se Lidia soubesse na maior forma protetora contaria aos nossos pais.
Havia chegado a semana do casamento, com os preparativos e a
chegada da família de Connor não tive tempo de pensar no desconhecido atraente.
Até que fui pega de surpresa no dia do casamento.
Connor realizou um almoço em nossa casa para receber os seus
amigos que foram convidados para a celebração.
Alguns amigos de infância. E entre eles havia um amigo que
ele destacava mais do que todos, o havia conhecido em uma viagem de estudos a
América Central. Merrick Frattin era seu nome. Connor contava aos meus pais as
aventuras do amigo com entusiasmo, minha mãe parecia não se agradar da presença
de um estranho aventureiro dentro de nossa casa. Meu pai ficava fascinado com
as histórias, e eu entediada e louca para que os convidados chegassem, pois meu
estômago já se manifestava. Pedi licença aos meus pais e fui até o quarto
trocar de roupa, pois os convidados começaram a chegar. Não me demorei muito e
logo voltei para a sala de jantar central.
Meus pais eram fascinados pela arquitetura, meu pai projeta
os desenhos da casa perfeitamente. A sala de jantar central era deslumbrante.
Com uma escada que dava acesso aos segundo andar da casa, bem próxima à
biblioteca, ao pé da escada haviam poltronas e uma lareira onde meu pai se
sentava para ler enquanto eu e Lidia bordávamos sentadas ao chão, um nível de
degrau separava-as da mesa de jantar para dez lugares, meu pai sonhava em ter
uma grande família. Estavam todos ali, amigos do papai, e os amigos de Connor
vindos da Inglaterra, alguns da França.
Papai estava ao pé da escada com Connor e outro rapaz,
conversavam empolgados como se planejassem algo para o futuro, fiquei parada no
alto da escada por uns segundos, até que Connor cutucou papai que logo se virou
para me ver, saindo da frente do rapaz. Quando o vi uma sensação flui por meus
ossos que começando pela coluna e terminando nas pontas dos dedos dos pés e das
mãos. Era ele, o desconhecido que vira a uma visita a cidade com Lidia, o
estranho que sonhei durante noite, aqueles olhos verdes. Era ele. Desci a
escada nervosa e calmamente para não tropeçar. Chegando a menos de um metro
perto dele. Ele estendeu a mão e eu lhe dei a minha, seus lábios suaves tocaram
minha pele que fez todo meu corpo estremecer novamente. Em uma pausa ele se
tomou ereto novamente e suavemente abriu os lábios e disse:
- Prazer senhorita,
sou Merrick Frattin, amigo de seu cunhado. - terminando a frase com um sorriso
no rosto.
Meu coração parou por um segundo.
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