terça-feira, 27 de novembro de 2012
Boa Noite
O que eu estava fazendo, pulei nos braços dele sem imaginar o que aconteceria depois. Ele poderia se sentir ofendido ou me achar ma oferecida, mas não. Retribuiu-me o abraço.
Era uma sensação incrível, suas mãos me acariciavam a cintura com uma delicadeza por cima de meu espartilho, enquanto eu entrelaçava meus dedos em seu cabelo liso e macio. Porem o momento de alegria durou poucos segundos. Lidia apareceu na porá com as mãos na cinturae meio irritada.
Merrick soltou-me rapidamente e se posicionou a meu lado.
- Já esta tarde Kyara, e você não deveria estar a está hora na rua. Entre, por favor. – disse Lidia, com um tom de preocupação.
Fui em direção a porta sem olhar para trás, então senti Merrick me segurar pelo braço, forçando-me a parar e virar.
Olhei em seus belos olhos verdes e ele falou:
- Boa noite senhorita Kyara.
Respondi com um sorriso. Passei pela porta e ouvi ele se despedindo de minha irmã.
- Tenha uma boa noite senhora Lidia.
Minha irmã lhe respondeu educadamente.
- Igualmente, senhor Merrick. E deves imaginar que sera do conhecimento de meu marido da sua presença na cidade - Lidia fez uma pausa e respirou fundo- e agradeceria se o senhor puder aparecer amanhã a tarde para um conversa, e não vir mais escondido a noite para ver minha irmã. Tenha uma boa noite.
Merrick não teve nem tempo de responder, Lidia fechou a porta com tanta força que os vasos de flores sobre uma mesa ao lado da porta estremeceram em sua superfície
Virei-me e apressei o passo em direção a biblioteca para evitar uma conversa com ela, no entanto foi em vão.
- Parada ai mocinha, onde pensa que vai. Temos que conversar.
- Não pode ser amanhã, estou can.
Dei um bocejo para ver se Lida acreditava mas ela continuou a falar ignorando-me.
-Sei que você gosta muito desse rapaz, e vejo o quanto ele também gosta de você, só tome cuidado, você o conhece a pouco tempo. E converse com a mamãe, ela anda preocupada.
Concordei com a cabeça e lê dei um abraço e um beijo no rosto.
- Eu te amo maninha. - disse me ela ao pé do ouvido.
- Eu também te amo muito.
Sorri e segui para o meu quarto.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Reencontro
Na biblioteca foi a nossa primeira e ultima conversa, depois
disso Merrick desapareceu.
Mandou um recado para Connor dizendo que não poderia
comparecer ao casamento e com um pedido de desculpas, que sentia muito e
desejava felicidades.
Lidia e mamãe adoraram não ter a presença dele na festa, e
achei estranho Connor não ficar preocupado de seu amigo ter desaparecido assim
e simplesmente mandar um bilhete. Se Connor estava preocupado não devia estar
tanto quanto eu, ou preferia não demonstrar.
Mas havia algo estranho no ar. Papai havia pedido a Lidia e
a Connor que adiassem a mudança para a Inglaterra, minha irmã não gostou nada
da ideia, mas resolveu ficar.
Eu já não entendia mais nada, papai andava nervoso, mamãe
muito mais protetora. Com o casamento de Lidia, o quarto que dividíamos era só
meu agora. As duas camas de solteiro deram lugar a uma enorme cama de casal. As
fotografias de Connor e Lidia estavam no quarto deles.
Agora só havia papéis sobre minha escrivaninha. Uma
prateleira com caixas e mais caixas de linhas e bordados que fazíamos juntas.
Eu não tinha vontade para fazer mais nada, do que ficar sentada à janela do meu
quarto ou perto da lareira da sala de jantar.
Papai e Connor passavam metade do dia trancados no
escritório conversando.
Já se passara um mês desde a última vez que vira Merrick.
Todas as noites penso onde ele deveria estar. Aquilo me consumia, minha vontade
era de botar Connor contra a parede e que me dissesse o paradeiro dele. Mas
seria inútil, o que iria dizer? Chegaria intimando, ordenando-o a dizer onde
ele estava para eu poder encontra-lo e viver uma linda história de amor. Não,
isso não.
O que Merrick devia pensar de mim, será que para ele eu era
apenas a cunhada desastrada de seu amigo. Ou ele sentia por mim a mesma coisa
que eu por ele. Penso que viverei com essa dúvida para a vida toda, ou até ele
reaparecer.
Antes de saber que o meu desconhecido e o amigo de Connor
eram a mesma pessoa, eu sabia que o Merrick era um aventureiro sem paradeiro
pelo mundo. Viajando por todos os lugares imagináveis. Como um rapaz tão jovem
poderia conhecer tantos lugares em tão pouco tempo?
Ele não parecia ser muito mais velho que eu, dois, quatro
anos no máximo.
Numa noite fingi que estava com dor de cabeça, pedi licença
e subi para meu quarto. Como de costume sentei perto da janela para olhar o
jardim, era noite de lua cheia e tudo estava claro.
Podia ver todo o jardim coberto de todos os tipos de flores,
mamãe amava flores.
Vi algo se deslocando do portão em direção a grande fonte no
centro do jardim. Fiquei prestando atenção para ver o que era ou quem era.
Pensei comigo mesma: “Deve ser algum animal da mata, um cachorro, algo do
tipo”. Mas não era. Sim, era uma pessoa.
Respirei fundo e observei com mais cuidado para ver quem era, tinha chance de
ser um ladrão, mas meu coração dizia que não era.
Ele ficou logo abaixo de uma luminária e pude ver seu rosto.
Era ele. Não pensei duas vezes abri a porta do meu quarto olhei pelo corredor,
não havia ninguém. Sai correndo e desci a escada quase tropeçando, atravessei a
biblioteca e sai pela porta de entrada no hall. Desci os três degraus da varanda.
Mirei a luminária ao lado da fonte e ele não estava mais ali.
Será que eu me enganei? Ou estava ficando tão louca ao ponto
de ver coisas que não existiam? Um momento de decepção me ocorreu, ele foi
embora e eu nunca mais o veria.
Que história de amor curta e triste.
Virei-me para voltar para dentro de casa.
E lá estava ele na
varanda me olhando com um sorriso enorme no rosto. Seus olhos verdes brilhando
com a luz da lua. Ele voltará.
Não pensei. Quando vi saltei em seus braços e o abracei com
força para que nunca mais fugisse de mim.
Ele viera me ver.
sábado, 27 de outubro de 2012
As primeiras palavras.
Ele me fitava com aquele sorriso enquanto eu ainda estava paralisada ao pé da escada sem reação.
Como poderia o mundo ser tão pequeno ao ponto de o meu desconhecido ser um
grande amigo de meu futuro cunhado.
Eu fiquei imersa em meus pensamentos por alguns segundos até
ser trazida para a realidade por minha mãe. Pedi licença aos homens e fui me
juntar as mulheres como de costume, minha mãe me fez passar o resto da tarde ao
lado dela, ela podia sentir que havia algo no ar. Algo não lhe agradava em
Merrick. Merick, sim o meu desconhecido atraente agora tinha nome. Alem de belo
e atraente ele era encantador, extremamente educado. Enquanto conversava com
meu pai volta e meia ele voltava seus olhares para mim com um sorriso entre
lábios, e eu retribuía timidamente e discretamente para mamãe não perceber.
Em um momento de distração de mamãe sai em direção à
biblioteca, não aguentava mais ficar sentada fazendo companhia ao convidados.
Subi na escada da prateleira para pegar um livro no alto. Na descida calculei
mal o passo e quase cai da escada, mas não senti um impacto no chão e sim mãos
macias segurando-me pela cintura. Virei rapidamente para ver o que acontecera.
E lá estava ele com seu sorriso sedutor.
- Desculpe-me, não
queria assustá-la. Simplesmente foi um reflexo. No momento em que entrei na
porta você tropeçou. - disse-me tirando o sorriso do rosto parecendo
envergonhado.
Tomei fôlego para respondê-lo, ainda não havia lhe dirigido
a palavra.
- Não tem o porquê de
se desculpar. - eu estava indo bem, pelo menos não havia gaguejado, então
continuei. - Eu que agradeço. Se não fosse o senhor eu neste momento estaria no
chão, no mínimo com uma perna ou braço quebrados.
Ri timidamente, ele riu comigo.
- Por favor, não me
chame de senhor, assim me sinto bem mais velho que você. E não quero me sentir
assim.
Tenho certeza que corei, minha bochechas estavam em chamas,
queria chamá-lo pelo nome ao menos uma vez, mas se minha mãe ouvisse, ou ao
menos soubesse que tivemos um momento e conversa a sós ficaria furiosa.
- É melhor tratá-lo
como senhor, minha mãe ficaria descontente se soubesse disto. - refleti - Porem
pensando por um momento, quantos anos o se... desculpe... você tem?
Ele demorou a me responder, mirou a estante cheia de livros
atrás de mim, Respirou e respondeu.
- Um pouquinho mais
do que você.
Ouvi a porta para a sala de jantar se abrir, Lidia passou
por ela. Virei para Merrick e ele não estava mais ali, com certeza havia saído
pela porta de acesso ao hall da mansão.
- Kyara, o que faz
aqui falando sozinha? Ou havia alguém com você?
Instantaneamente e nervosa respondi.
- Eu estava lendo em
voz alta, só isso. Não aguentava mais ficar na sala sentada sem fazer nada.
Aproveitei que mamãe havia saído e fugi para cá.
Sorri tentando disfarçar.
- Volte para a sala de jantar, os convidados já estão indo
embora e papai quer você ao nosso lado para se despedir.
Concordei com a cabeça.
Fitei a porta de saída para o hall mais uma vez.
Ele não estava mais ali.
O começo.
Nasci em um mundo diferente. Eu era apenas uma jovem de 18
anos que era feliz. Vivia com meus pais e minha irmã, apenas três anos mais
velha que eu. Estávamos em festa, pois minha irmã logo iria se casar, ela
estava feliz, e eu também, por ela.Mas parte de mim se sentia mal, pois
perderia minha amiga e confidente, logo após o casamento ela se mudaria para a
Inglaterra com o marido e teria a vida dela, e eu continuaria no Brasil vivendo
com nossos pais. Minha vida era simples, mais feliz ao lado dela. Passamos o
dia bordando juntas, as vezes íamos a cidade fazer comprar para o enxoval.
Foi em uma dessas viagem até a cidade que conheci um belo
rapaz, me senti atraída por ele como se eu fosse a lua e ele a terra. Seu olhar
fixo em mim e minha irmã, isto a deixou meio nervosa, sem saber o que fazer. Para ela
eu ainda era uma menina que não havia crescido. Porem ela percebeu que logo
após seu casamento chegaria minha vez, eu não seria mais vista como a filha
caçula dos Balestriero, e sim a nova filha para se casar.
Lidia, minha irmã ficou noiva quando tinha 19 anos, mais de
dois anos para os preparativos do casamento. Aquela era vida que ela queria,
mais sabia que não era a que eu queria.
Nem eu mesma sabia o que queria, então ficaria confortada com o que meus pais
decidissem. Naquela época, hoje já penso diferente.
Passei dias sonhando com aquele estranho, querendo saber
quem era e porque eu me senti tão atraída por ele. Mas eu me culpava, aquilo
era um erro, eu nem o conhecia e muito menos meus pais. Eles nunca admitiriam
se descobrissem essa atração que eu sentia, então mantive esse segredo só para
mim, se Lidia soubesse na maior forma protetora contaria aos nossos pais.
Havia chegado a semana do casamento, com os preparativos e a
chegada da família de Connor não tive tempo de pensar no desconhecido atraente.
Até que fui pega de surpresa no dia do casamento.
Connor realizou um almoço em nossa casa para receber os seus
amigos que foram convidados para a celebração.
Alguns amigos de infância. E entre eles havia um amigo que
ele destacava mais do que todos, o havia conhecido em uma viagem de estudos a
América Central. Merrick Frattin era seu nome. Connor contava aos meus pais as
aventuras do amigo com entusiasmo, minha mãe parecia não se agradar da presença
de um estranho aventureiro dentro de nossa casa. Meu pai ficava fascinado com
as histórias, e eu entediada e louca para que os convidados chegassem, pois meu
estômago já se manifestava. Pedi licença aos meus pais e fui até o quarto
trocar de roupa, pois os convidados começaram a chegar. Não me demorei muito e
logo voltei para a sala de jantar central.
Meus pais eram fascinados pela arquitetura, meu pai projeta
os desenhos da casa perfeitamente. A sala de jantar central era deslumbrante.
Com uma escada que dava acesso aos segundo andar da casa, bem próxima à
biblioteca, ao pé da escada haviam poltronas e uma lareira onde meu pai se
sentava para ler enquanto eu e Lidia bordávamos sentadas ao chão, um nível de
degrau separava-as da mesa de jantar para dez lugares, meu pai sonhava em ter
uma grande família. Estavam todos ali, amigos do papai, e os amigos de Connor
vindos da Inglaterra, alguns da França.
Papai estava ao pé da escada com Connor e outro rapaz,
conversavam empolgados como se planejassem algo para o futuro, fiquei parada no
alto da escada por uns segundos, até que Connor cutucou papai que logo se virou
para me ver, saindo da frente do rapaz. Quando o vi uma sensação flui por meus
ossos que começando pela coluna e terminando nas pontas dos dedos dos pés e das
mãos. Era ele, o desconhecido que vira a uma visita a cidade com Lidia, o
estranho que sonhei durante noite, aqueles olhos verdes. Era ele. Desci a
escada nervosa e calmamente para não tropeçar. Chegando a menos de um metro
perto dele. Ele estendeu a mão e eu lhe dei a minha, seus lábios suaves tocaram
minha pele que fez todo meu corpo estremecer novamente. Em uma pausa ele se
tomou ereto novamente e suavemente abriu os lábios e disse:
- Prazer senhorita,
sou Merrick Frattin, amigo de seu cunhado. - terminando a frase com um sorriso
no rosto.
Meu coração parou por um segundo.
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