terça-feira, 16 de julho de 2013

Jardim



O dia só havia começado e ainda tinha muito pela frente. E não era só uma história de um lobo que me iria fazer perder o dia. Como Merrick disse tudo já estava certo e não haveria com que se preocupar.
Estava sentada no jardim olhando as flores. Lidia e Connor permaneciam na biblioteca. Mamãe dava as ordens para o almoço e papai estava com Merrick na lareira. Como eu poderia conversar com ele se em nenhum momento o deixavam a sós. Teria que esperar ele vir até mim. Mas quando. Quanto eu teria que esperar. Estava imersa em pensamentos e nem prestava atenção em minha volta.
 - O dia está lindo não é.
Voltei rapidamente de meus pensamentos. Ele se sentará ao meu lado. Merrick me olhava com um lindo sorriso no rosto.
- Sim, realmente o dia está lindo, gosto de sentar no jardim em dias de sol e admirar as flores. Adoro rosas. E o Sr, Sr. Frattin do que gosta?
Sentia sua mão acariciar a minha a minha sobre o banco, me subiu um arrepio por todo o corpo.
-  Gosto que que digas o meu nome sem tanta formalidade. – Ele segurou minhas mãos e as pós sobre seu peito. – Amo ver seus lábios pronunciando meu nome. Principalmente enquanto dorme.
Seus olhos brilhavam olhando-me.
- Como disse Sr. frat...
-shiiii! – fez ele colocando seu deu indicador em meus lábios para me repreender. – Merrick, por favor.
Nervosa tirei sua mão de perto do meu rosto e disse rispidamente.
- Isto não vem ao caso Sr. Fra... Droga! Porque você disse que gosta de me ver pronunciando seu nome enquanto durmo?
Ele deu um sorriso cínico.
- eu disse isso?
-claro que disse, eu não estou surda e nem maluca.
-Claro, que não está maluca. Seria indelicado de minha parte dizer isto.
Levantei-me já furiosa com seu descaso e deboche. E praticamente cuspi as palavras eu sua cara.
- Vá direto ao ponto Sr. Frattin, Merrick, ou seja, lá como quer que o chame. O senhor surge do nada em nossas vidas, desaparece e volta me procurando à noite e agora insinua que entrou em meu quarto a noite e que escuta eu chamar por seu nome em meus sonhos. Tudo bem que durante esse tempo senti sua falta, mas...
Merrick me puxou pelo braço e pós suas mãos em volta da minha cintura e beijou-me. Calorosamente. Delicadamente e apaixonante. Fui aos céus e voltei a terra em menos de um segundo. Meu primeiro beijo. Nosso primeiro beijo. Permaneci de olhos fechados para retomar o folego, respirei fundo e abri meus olhos para olhar nos seus.
Mas ele já não estava mais lá. Olhei para todos os lados por sua procura. Só restara uma rosa em minha mão, uma rosa branca, a minha favorita. Sentei-me novamente no banco para pensar, estava tonta, tudo fora rápido demais. Fiquei ali sozinha.
Sozinha e sem entender mais nada.


domingo, 9 de junho de 2013

Pressentimentos

O dia amanheceu e logo que a luz invadiu meu quarto eu já estava acordada. Levantei-me e pensei que roupa vestir. Devia ser algo especial, hoje seria um dia especial. Então me lembrei de um vestido que minha mãe me dera. Ela o usara quando conheceu meu pai. Ele era perfeito. Lindo. Azul com uma saia volumosa branca com uma fita na mesma cor formando um laço nas costas. Prendi o cabelo para o lado com uma traça presa com uma fita num tom de azul similar ao vestido. Olhei-me no espelho uma ultima vez e respirei fundo e disse para mim mesma: Hoje será um dia especial.
Abri a porta do meu quarto e segui até a escadaria que dava para a sala de jantar. Minha família me esperava para o café da manhã. Ao chegar ao topo da escadaria vi todos sentados a mesa a minha espera. Mamãe, papai, Lidia e Connor.
 - Você esta linda filha, pensei que nunca usaria este vestido. Posso saber o motivo de estar tão arrumada? – disse mamãe.
Connor deu uma risadinha debochada e soltou um ‘ai’ baixinho, certamente Lidia  cutucou em repreensão por baixo da mesa. Agradeci mentalmente Lidia por isso, se pudesse eu mesma o teria feito. Sentei-me ao lado de mamãe. Ela me admirava com seu vestido.
 - Esta muito parecida com sua mãe quando a conheci. E linda. – disse meu pai.
Antes que mamãe tivesse tempo de perguntar o porquê de eu estar com aquele vestido ouvi alguém bater a porta. Virei-me rapidamente para ver quem era. Papai levantou-se para receber o visitante, então pude o ver entrando na sala de jantar. Merrick estava lindo. Cumprimento a todos na mesa e me olhou discretamente, pois mamãe o fuzilava com os olhos.
 - Agora entendo o porquê de você se arrumar tanto. – mamãe não gostava da presença de Merrick em nossa casa. E ela desconfiava do meu sentimento por ele.
Papai chegou até Merrick e lhe deu um abraço e o cumprimentou:
 - Querido Merrick, sentimos muito a sua falta no casamento. Senti-se e nos conte sobre o porquê de sua longa ausência. - papai caminhava pela sala orientando Merrick a se sentar na ponta da mesa em frente a ele.
Connor olhou para mim e em seguida para Merrick e perguntou ao amigo o mesmo que papai.
 - Então Merrick, conte-nos o porquê de sua ausência durante todo este tempo. O que lhe tirou de nossa tranquila cidade.
 Mas antes de Merrick falar papai o interrompeu.
 - Desculpe interrompe-lo Merrick, mas nossa cidade não está tão tranquila assim Connor. Vocês souberam dos últimos ataques na cidade?
Fiquei paralisada, ataques? Como assim ataques na cidade?
 - Ataques do que papai? Andaram assaltando alguém, ou algo assim? – perguntei entrando sem querer na conversa.
 - Ataques de animais minha querida. Ataques de animais. – disse-me papai tomando um gole de seu café já quase frio.
 - Encontraram o SR. Tunner caído na estrada na semana passada. Ele disse que foi atacado por um lobo. – Contou Connor.
Merrick não parecia surpreso como eu. Alias ninguém na mesa parecia. Somente eu ficara apavorada com a história, e acredito que somente eu na mesa não sabia dos acontecimentos na cidade. Afinal nos últimos dias eu passara o tempo todo em meu quarto, trancafiada pensando quando Merrick voltaria.
 - Estou ciente dos acontecimentos SR. Balestiero. E foi por causa deles que me ausentei da cidade. Mas não a mais o que temer, parece que o lobo foi capturado e não ira mais incomodar os moradores da cidade. – disse Merrick servindo-se de um pedaço de bolo.
 - Tem certeza meu amigo. Dizem que o lobo não foi morto e que pode voltar. Ou que possa haver mais na região. – contestou Connor.
 - Realmente o lobo pode voltar, mas não a mais pela região. Há anos eles foram extintos da região. Não com o que se preocupar. Por enquanto pelo menos. – confirmou Merrick.
 - Por favor, vamos mudar de assunto. – Protestou Lidia. – Não aguento mais essa história de ataques de lobo. Para mim essa história está muito mal contada.
A sala ficou em silêncio por segundos até que Merrick se dirigiu a Lidia e a perguntou.
 - E o qual a senhora acredita que seja a verdadeira história?
Lidia ficou quieta por um instante e disse nervosa.
 - Eu não sei qual a verdadeira história, só sei que logo vira átona. Isso ainda não acabou e ainda tem muito mais para acontecer.
Ao terminar de falar Lidia se levantou da mesa e foi em direção à biblioteca, Connor saiu logo atrás.
O clima havia ficado tenso na sala de estar. Até papai ficara apreensivo. Mamãe se levantará da mesa e fora para a cozinha. Merrick e papai se sentaram a lareira e eu permaneci na sentada na mesa. Paralisada. Muito pensativa. Não era átona que eu sempre seguia os conselhos de Lidia, de alguma forma ela sempre pressentia as coisas. Quando mamãe ficou grávida de mim Lidia já sentia que eu iria ser uma menina, assim como antes de mamãe ter certeza de que estava grávida Lidia já desconfiava. E ela tinha apenas cinco anos.
Algo de ruim acontecia e Lidia sentia isso. E eu estava com medo.