O dia amanheceu e logo que a luz invadiu meu quarto
eu já estava acordada. Levantei-me e pensei que roupa vestir. Devia ser algo
especial, hoje seria um dia especial. Então me lembrei de um vestido que minha
mãe me dera. Ela o usara quando conheceu meu pai. Ele era perfeito. Lindo. Azul
com uma saia volumosa branca com uma fita na mesma cor formando um laço nas
costas. Prendi o cabelo para o lado com uma traça presa com uma fita num tom de
azul similar ao vestido. Olhei-me no espelho uma ultima vez e respirei fundo e
disse para mim mesma: Hoje será um dia especial.
Abri a porta do meu quarto e segui até a escadaria
que dava para a sala de jantar. Minha família me esperava para o café da manhã.
Ao chegar ao topo da escadaria vi todos sentados a mesa a minha espera. Mamãe,
papai, Lidia e Connor.
- Você esta
linda filha, pensei que nunca usaria este vestido. Posso saber o motivo de
estar tão arrumada? – disse mamãe.
Connor deu uma risadinha debochada e soltou um ‘ai’
baixinho, certamente Lidia cutucou em
repreensão por baixo da mesa. Agradeci mentalmente Lidia por isso, se pudesse
eu mesma o teria feito. Sentei-me ao lado de mamãe. Ela me admirava com seu
vestido.
- Esta muito
parecida com sua mãe quando a conheci. E linda. – disse meu pai.
Antes que mamãe tivesse tempo de perguntar o porquê
de eu estar com aquele vestido ouvi alguém bater a porta. Virei-me rapidamente
para ver quem era. Papai levantou-se para receber o visitante, então pude o ver
entrando na sala de jantar. Merrick estava lindo. Cumprimento a todos na mesa e
me olhou discretamente, pois mamãe o fuzilava com os olhos.
- Agora
entendo o porquê de você se arrumar tanto. – mamãe não gostava da presença de
Merrick em nossa casa. E ela desconfiava do meu sentimento por ele.
Papai chegou até Merrick e lhe deu um abraço e o
cumprimentou:
- Querido
Merrick, sentimos muito a sua falta no casamento. Senti-se e nos conte sobre o
porquê de sua longa ausência. - papai caminhava pela sala orientando Merrick a
se sentar na ponta da mesa em frente a ele.
Connor olhou para mim e em seguida para Merrick e
perguntou ao amigo o mesmo que papai.
- Então
Merrick, conte-nos o porquê de sua ausência durante todo este tempo. O que lhe
tirou de nossa tranquila cidade.
Mas antes de
Merrick falar papai o interrompeu.
- Desculpe
interrompe-lo Merrick, mas nossa cidade não está tão tranquila assim Connor.
Vocês souberam dos últimos ataques na cidade?
Fiquei paralisada, ataques? Como assim ataques na
cidade?
- Ataques do
que papai? Andaram assaltando alguém, ou algo assim? – perguntei entrando sem
querer na conversa.
- Ataques de
animais minha querida. Ataques de animais. – disse-me papai tomando um gole de
seu café já quase frio.
- Encontraram
o SR. Tunner caído na estrada na semana passada. Ele disse que foi atacado por
um lobo. – Contou Connor.
Merrick não parecia surpreso como eu. Alias ninguém
na mesa parecia. Somente eu ficara apavorada com a história, e acredito que
somente eu na mesa não sabia dos acontecimentos na cidade. Afinal nos últimos
dias eu passara o tempo todo em meu quarto, trancafiada pensando quando Merrick
voltaria.
- Estou
ciente dos acontecimentos SR. Balestiero. E foi por causa deles que me ausentei
da cidade. Mas não a mais o que temer, parece que o lobo foi capturado e não
ira mais incomodar os moradores da cidade. – disse Merrick servindo-se de um
pedaço de bolo.
- Tem certeza
meu amigo. Dizem que o lobo não foi morto e que pode voltar. Ou que possa haver
mais na região. – contestou Connor.
- Realmente o
lobo pode voltar, mas não a mais pela região. Há anos eles foram extintos da
região. Não com o que se preocupar. Por enquanto pelo menos. – confirmou
Merrick.
- Por favor,
vamos mudar de assunto. – Protestou Lidia. – Não aguento mais essa história de
ataques de lobo. Para mim essa história está muito mal contada.
A sala ficou em silêncio por segundos até que
Merrick se dirigiu a Lidia e a perguntou.
- E o qual a
senhora acredita que seja a verdadeira história?
Lidia ficou quieta por um instante e disse nervosa.
- Eu não sei
qual a verdadeira história, só sei que logo vira átona. Isso ainda não acabou e
ainda tem muito mais para acontecer.
Ao terminar de falar Lidia se levantou da mesa e foi
em direção à biblioteca, Connor saiu logo atrás.
O clima havia ficado tenso na sala de estar. Até
papai ficara apreensivo. Mamãe se levantará da mesa e fora para a cozinha.
Merrick e papai se sentaram a lareira e eu permaneci na sentada na mesa.
Paralisada. Muito pensativa. Não era átona que eu sempre seguia os conselhos de
Lidia, de alguma forma ela sempre pressentia as coisas. Quando mamãe ficou
grávida de mim Lidia já sentia que eu iria ser uma menina, assim como antes de
mamãe ter certeza de que estava grávida Lidia já desconfiava. E ela tinha
apenas cinco anos.
Algo de ruim acontecia e Lidia sentia isso. E eu
estava com medo.